Amanha Renato Russo completaria 50 anos, realmente uma pena não estar mais aqui, lembro ainda das minhas crises de choro a cada aniversário de sua morte, hoje já não é mais assim, as coisas foram mudando a gente vai aceitando, que quando se nasce na época errada não há nada o que fazer.
Mais ainda gosto a mesma intensidade só que de uma forma diferente pra mim a definição de Renato Russo continua a mesma, um poeta, um cantor, um artista, que sabia falar de amor, de política, de amizade, que tinha o dom de tratar das coisas do cotidiano de uma forma muito especial e única, alguém de uma sensibilidade incomparável.
E eu agora sou uma fã conformada e sem fanatismo, mais que gosta de ler a respeito e que quando esta sozinha gosta de colocar um vinil na vitrola e ouvir ser contada sempre uma fase da sua vida a cada música.
Confesso que conformada ainda que com recaídas, por que toda vez que vou a um show, sempre olho pro palco e bate aquela melancolia de saber que nunca vai ser a legião, nunca vai ter Renato atrás do microfone, nesses devaneios chego a pensar que nasci na época errada.
Continuo gostando mais de Clarisse do que de qualquer outra música, ainda é o que eu escuto nos meus dias mais tristes.
Tantas coisas mudaram e tantas ainda permanecem iguais, há problemas, pessoas, tantas coisas que não mudam com o passar do tempo, mais é só nostalgia e isso passa.
“Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém me entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe p'rá mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar p'rá casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
De que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo resistir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem quatorze anos”
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